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A ascensão dos palácios da fé

04 de janeiro de 2016

A ascensão dos palácios da fé

Número de templos religiosos em Goiânia cresceu quase 40% desde 2010. Prefeitura defende fim da isenção de impostos a igrejas

De cima do púlpito, o grito: “Deus está aqui nesta igreja e vai tirar toda miséria da sua vida.” A pregação faz o líder evangélico empolgar uma multidão de fiéis durante um culto no Setor Bueno, em Goiânia. A teologia da prosperidade está por trás do crescimento de quase 40% no número de igrejas da capital, entre 2010 e 2015. Já são 2.274 templos religiosos, no total, cadastrados na Prefeitura. No período, segundo estimativas da Secretaria Municipal de Finanças (Sefin), teriam deixado de pagar quase R$ 6 milhões em impostos, amparados pela imunidade tributária prevista na Constituição.

O secretário municipal de Finanças de Goiânia, Jeovalter Correia, diz que, se as igrejas pagassem impostos, o dinheiro poderia ser investido na melhoria de serviços de saúde e educação. “O setor público, em geral, está vivendo uma crise econômica e este dinheiro está fazendo falta mais que nunca”, acentua. A Prefeitura tem dívida de R$ 700 milhões, segundo ele. “Defendo que se faça um pente fino urgente nessas imunidades e desonerações para acabar com isso, isso não tem nada a ver com preconceito contra religião. Há igrejas que exploram atividade econômica”, destaca.

Grande parte das igrejas fica concentrada nas regiões mais pobres e de classe média baixa, que representam a maioria dos cerca de 600 bairros de Goiânia. Mas áreas nobres, como o Setor Bueno, na Região Sul, também estão na lista dos que mais têm templos religiosos em números absolutos (veja quadro).

Concentração

Há igrejas de diferentes denominações vizinhas umas das outras. No Setor Jardim Europa, na Região Sudoeste, uma única quadra tem três templos em um raio de apenas 100 metros. O número delas sobe para sete em 1,5 quilômetros na mesma área.

Na cidade, algumas vendem roupas e têm até editoras de livros, enquanto outras comercializam promessas de milagres em lenços, chaveiros, óleos e demais produtos ungidos.

A arrecadação destas instituições é pouco transparente e fica a mercê da boa-fé dos religiosos. “Às vezes entrego o dinheiro para conseguir a bênção”, conta a frequentadora de uma igreja neopentecostal.

Nos últimos cinco anos, o maior boom das igrejas em Goiânia foi registrado em 2013, quando a Prefeitura teve de isentar impostos de 2.168 igrejas. O número representou um salto de 15% em relação ao ano anterior. Na capital, a ascensão dos palácios da fé teve um único e leve recuo em 2014, mas o crescimento já voltou a ser recuperado no ano passado.

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