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Agenda Goiás: Inovação para ter sustentabilidade

30 de agosto de 2015

Agenda Goiás

Inovação para ter sustentabilidade

Mudar paradigmas, inovando nos padrões produtivos com valorização dos recursos naturais, é proposta de desenvolvimento

Sérgio Abranches, durante palestra em Aruanã: “O problema é que o Brasil não vê o Cerrado como um manancial de riquezas”

Inserir uma dimensão ética na discussão econômica para reavaliar valores e recursos dentro de uma proposta de sustentabilidade. Quebrar paradigmas, superando padrões de produção dos séculos passados para inovar em tecnologia e exploração das riquezas naturais, evitando a destruição de biomas como o Cerrado. Essas foram algumas das questões ressaltadas ontem pela manhã, no quarto fórum do projeto do Agenda Goiás – Participação e Competitividade, em Aruanã, onde o tema central foi meio ambiente.

As palestras foram feitas pelo professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Ricardo Abramovay, autor de dezenas de livros e estudos sobre a questão, e pelo sociólogo, Ph.D, e comentarista darádio CBN, Sérgio Abranches.

Ao falar sobre Desenvolvimento Sustentável, a Base da Competitividade, Abramovay lançou uma questão ética: para que queremos os bens que nos propomos oferecer à sociedade? Ele lembrou que o aumento da oferta de alimentos nos Estados Unidos ocorreu junto com o avanço dos casos de sobrepeso e obesidade, que passaram de 15% para 30% nas últimas décadas. Também destacou que hoje a população de obesos e com sobrepeso é duas vezes superior à das pessoas que passam fome no mundo.

Abramovay propôs mudar para não repetir erros graves, entre eles a poluição de mananciais. Satisfeito em conhecer o Rio Araguaia, contou que seu rio é o Pinheiros e também lembrou a situação do Tietê para alertar sobre o cuidado de agir diferente da maneira como os paulistanos trataram seus rios.

É urgente rever conceitos e padrões, advertiu, mencionando que a sociedade brasileira ainda encara o Cerrado como fronteira agrícola e matéria-prima para a produção de alimentos de que o mundo precisa, e não como bioma rico em água e biodiversidade. Informou sobre projetos de agricultura regenerativa, que permitem, por meio da ciência e de pesquisas, produzir melhor e sem desmatamento, que agrava a emissão de gases do efeito estufa.

Sobre os efeitos e riscos das mudanças climáticas, destacou a importância de focar na competitividade por agregação de valor e não apenas baseada em custos. Isso implica, disse, computar o uso de água, a taxa de carbono, o lixo resultante. “Quando esse custo será cobrado?”, questionou, afirmando que se as 1,6 mil maiores corporações pagassem pelo uso de recursos ecossistêmicos, seu lucro desapareceria.

E concluiu: o Brasil tem de vencer o perigo da reprimarização da economia, com baixíssima inovação na produção de energia, e repensar o papel fundamental das lideranças empresariais e políticas para um desenvolvimento orientado para a sustentabilidade.