Dilma pede que ministros dialoguem mais com o Congresso
Em cerimônia de posse de dez ministros, a petista afirmou que seus novos e antigos auxiliares têm o dever de manter contato permanentemente com deputados federais, partidos políticos e com movimentos sociais
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de posse dos novos ministros, no Palácio do Planalto
Folhapress
No momento em que enfrenta dificuldades com sua base aliada na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff orientou nesta segunda-feira (5) sua equipe ministerial a dialogar com o Congresso Nacional.
Em cerimônia de posse de dez ministros, realizada no Palácio do Planalto, a petista afirmou que seus novos e antigos auxiliares têm o dever de manter contato permanentemente com deputados federais, partidos políticos e com movimentos sociais.
A falta de diálogo é uma das principais críticas feitas ao atual governo federal, tanto por movimentos de esquerda como por parlamentares da própria base aliada.
"A principal orientação que dou aos novos ministros, e aos ministros que continuam no governo, é: trabalhem ainda mais, com mais foco, com mais eficiência, buscando fazer mais com menos. Dialoguem muito e sempre com a sociedade, com os parlamentares, com os partidos e com os movimentos sociais", disse.
Em meio à ameaça de abertura de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados, a petista ressaltou que seu governo irá até o final de 2018 e reafirmou que a reforma ministerial tem também como objetivo garantir "mais equilíbrio" à coalizão que a apoiou na disputa do ano passado.
"Nós temos um Brasil para governar até 2018", afirmou.
Em discurso, a petista afirmou que o corte de oito pastas e a redução dos salários de ministros é uma medida de reequilíbrio fiscal. Ela anunciou que a Comissão Permanente para a Reforma do Estado, que terá como objetivo reorganizar a administração federal, será presidida pelo ministro Nelson Barbosa (Planejamento).
Segundo a petista, o grupo será composto ainda pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Jaques Wagner (Casa Civil), além de nomes de fora do governo federal que serão convidados a participar.
BRONCA
No início de seu discurso, a presidente fez uma retificação à fala do chefe de cerimônia, que errou a ordem do nome do novo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Ao anunciar a ministra Nilma Lino, que assumirá a pasta, ele citou Direitos Humanos antes de Mulheres.
"Eu queria fazer uma retificação antes de começar a falar. O Ministério é das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Nós erramos a ordem, peço desculpas", disse.
Na sequência, ao ler a lista de agradecimentos, a petista se deparou com o mesmo erro no nome da pasta e chamou novamente a atenção de sua equipe de auxiliares, o que arrancou risos da plateia.
"Errado, está vendo? Está errado. As mulheres vão entender porque insisto na ordem. É Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Eles insistem, eles insistem", disse.
NOVIDADES
As duas principais novidades são a troca de Aloizio Mercadante na Casa Civil por Jaques Wagner (que deixa a Defesa) e a demissão do petista Arthur Chioro (Saúde) para abrir espaço para um deputado peemedebista na pasta que estava sob o comando do PT.
As duas mudanças foram sugeridas por Lula, que na quinta (1º) reuniu-se com Dilma em Brasília.
O ex-presidente sai fortalecido com a reforma, com três nomes de sua confiança no Palácio do Planalto: Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, que assumirá a Secretaria de Governo, e Edinho Silva (Comunicação Social). Já Aldo Rebelo (PC do B) irá para a Defesa no lugar de Wagner.
Na nova configuração, o PMDB passou de seis para sete ministérios no governo -após o pedido de demissão de Mangabeira Unger da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). Os outros peemedebistas da Esplanada serão: Eliseu Padilha (Aviação Civil), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho (Portos).
Enquanto isso o PT, partido de Dilma, foi de 13 para nove pastas. Foi o ex-presidente Lula quem aconselhou a presidente a tirar espaço do PT e dar mais uma pasta ao PMDB, na tentativa de remontar sua base no Congresso. PDT, PSD, PP, PR, PTB, PC do B e PRB têm um ministro cada. Outros oito ministros não têm partido.