Especialista aponta o que não causou queda do avião do Bradesco
Professor Raul Monteiro diz que causas serão apontadas com a análise das peças do avião e da vida do piloto e copiloto
12/11/2015 08:08Reprodução/TV Anhanguera
O professor Raul Francé Monteiro, coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica (PUC-GO), fez uma análise do que não poderia ter ocasionado a queda do avião Cessna Citation VII, prefixo PT-WQH, do Bradesco, que caiu na zona rural do município mineiro Guarda-Mor, a 9 quilômetros da fronteira com Goiás, na noite de terça-feira. "O que causou o acidente cerca de 30 militares do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos) trabalham para responder. O que posso dizer é o que não aconteceu".
Comandante de aeronaves por 30 anos, professor Raul Monteiro descarta a possibilidade de bomba na aeronave, já que ela não se despedaçou em voo. "Ele subia para o nível 410, ou seja, estava a 41 mil pés de altura. De um momento para o outro, sem contato com o controle de tráfego, sem que nenhum código de emergência fosse acionado, passaram a descer repentinamente".
Segundo ele, se o piloto passasse mal ou até morresse, o copiloto teria condição de assumir o comando da aeronave. Mesmo que os dois morressem, o que é improvável, a aeronave estava subindo em piloto-automático. "Se uma janela se partisse e houvesse descompressão explosiva no avião, o piloto também teria como controlar a situação, compensando a descompressão com medidas de emergência e após contato com o controle de tráfego aéreo desceria em segurança".
O professor disse que o jato do Bradesco entrou no solo ainda voando, motivo pelo qual os destroços foram encontrados a 5 metros da superfície, o que descarta também a possibilidade de uma tentativa de pouso de emergência.
Apenas a análise das peças, das ranhuras e rupturas encontradas nas partes do que sobrou do avião e da vida do piloto e copiloto podem indicar o que realmente aconteceu, segundo o professor Raul Monteiro.
No acidente morreram o presidente do Grupo Bradesco Seguros e vice-presidente do Bradesco Marco Antônio Rossi; o presidente da Bradesco Vida e Previdência Lúcio Flávio Condurú de Oliveira; o comandante Ivan Morenilla Vallim e o copiloto Francisco Henrique Tofoli Pinto. Os restos mortais dos quatro foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte (MG). Eles saíram de Brasília (DF) às 18h39 de terça-feira e às 19h09 o avião desapareceu dos radares.