Goiânia tem 18% de lotes vazios
Áreas interferem na segurança e na saúde da população, além de afetar a paisagem e gerar especulação
Lotes vazios na Avenida Rita Caetano, no Residencial Santa Fé: local é um dos que têm maior número de lotes vagos
Entre os 583 metros da Rua RB-18, no Setor Recanto dos Bosques, Região Noroeste de Goiânia, há 18 lotes baldios. Alguns abandonados, com mato alto, lixo, entulho e até carcaças de carros, outros cercados com arame e plantação de milho e mandioca e há até os que estão roçados, mas em nenhum deles há moradores ou qualquer menção de ocorrer construções em breve. O bairro é o que mais possui áreas deste tipo na capital, com 2.974 lotes, fazendo parte dos 122.562 em toda a cidade, cerca de 18,7% do total de imóveis.
Proprietária de um mercado em frente a um lote vazio na Rua Tropical, também no Recanto dos Bosques, Vanusa Cardoso, de 42 anos, acredita que a área torna o local feio e sujo, além de trazer animais como ratos, baratas e muriçocas. Ela mora no bairro há 18 anos e conta que hoje em dia o número de lotes baldios é pequeno perto do que já teve. “Este de frente é de um cara de Brasília, antes um vizinho tomava conta, plantava mandioca, mas ele se mudou e aí ficou só o mato mesmo”, diz.
O número de lotes vazios em Goiânia é considerado alto por urbanistas. Cidades como Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG), por exemplo, apresentam índices abaixo de 8%. Já em Aparecida de Goiânia chega a 40%. Entidades do setor imobiliário e técnicos da própria Prefeitura acreditam que a quantidade de lotes vazios indicada pela Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) não corresponde à realidade, por apresentar um cadastro defasado.
A Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh) contesta os dados da Sefin. O secretário Sebastião Ferreira Leite, o Juruna, expõe o caso do Sítio Recreio dos Bandeirantes, qual está descrito como zona urbana na Finanças e zona rural no Planejamento. A reportagem esteve com Juruna no bairro na última quinta-feira e verificou a cobrança de ITU dos moradores. Eles reclamam, no entanto, que se trata de um setor de chácaras, sem qualquer estrutura urbana, como asfalto e linha de ônibus. Esse desentendimento entre as pastas, no entanto, impede que os moradores locais exerçam atividades rurais em seus lotes.
Fonte: Opopular