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Não há nenhuma decisão, diz ministério sobre troca de diretor da PF

21 de março de 2016

"Não há nenhuma decisão", diz ministério sobre troca de diretor da PF

Leandro Daiello, no cargo desde 2011, perdeu de vez a confiança do Planalto depois da gravação telefônica entre Lula e Dilma

O Ministério da Justiça divulgou nota nesta segunda-feira (21) afirmando que "não há nenhuma decisão" tomada sobre a troca do diretor-geral da Polícia Federal.

"O Ministério da Justiça informa que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, continua gozando de plena confiança por parte do ministro da Justiça. Não há nenhuma decisão sobre a sua substituição", disse a nota.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda informa que o governo decidiu buscar um nome para substituir Daiello em até 30 dias. Na nota, o ministério não nega essa informação e também não garante a permanência do atual diretor no cargo na gestão do novo ministro, Eugênio Aragão, que assumiu na quinta (17).

Em entrevista à Folha, publicada no sábado (19), Aragão afirmou que Daiello não estava garantido no comando da PF e indicou o perfil que busca dentro da polícia: "Quero evidentemente na PF pessoas que tenham alguma liderança interna. Essas instituições que têm competências autárquicas, e são independentes na sua atuação, precisam ser dirigidas por lideranças".

Leandro Daiello, no cargo desde 2011, perdeu de vez a confiança do Planalto depois do episódio da gravação telefônica, feita pela PF com autorização do juiz Sergio Moro, do Paraná, entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

Investigadores da Operação Lava Jato viram no diálogo captado uma tentativa da presidente de evitar a prisão de seu antecessor por Moro.

A missão do novo ministro da Justiça é encontrar nas próximas semanas um nome para apresentar a Dilma. O ministro vai indicar o substituto, mas cabe à presidente nomear de fato o comandante da PF.

Pela legislação aprovada em 2014, o diretor-geral da PF deve ser do quadro de delegados da instituição no mais alto nível da carreira, chamado de "classe especial".

A tarefa de Aragão é identificar, entre esses delegados, alguém capaz de aceitar a missão em meio ao desgaste político que uma troca do tipo vai causar em um dos momentos mais cruciais da Lava Jato, que tem Lula entre seus investigados.

O prazo de um mês com que o ministro trabalha serviria para a pasta encontrar alguém para comandar a polícia e, ao mesmo tempo, daria a Leandro Daiello um período de transição para outro setor da instituição.

Fonte: opopular / folhapress