Queria muito entender a pauta dessas manifestações (que começou com caminhoneiros autônomos e suas associações e hoje não sei quem as comanda).
Se a reivindicação era sobre o preço dos combustíveis, segundo as próprias associações, tudo o que foi solicitado foi atendido desde domingo, mas a paralisação continua. Apesar de que, somente mudou a fonte dos recursos, ao invés de cobrar de quem consome combustível, vai cobrar de todos os contribuintes (até por que não existe mágica).
Se é sobre tributação, necessidade de reforma, etc., esse governo (que está sendo achincalhado, com razão mas sem conveniência) estava propondo isso desde que assumiu, mas não encontrou nenhum apoio, muito menos pressão para fazê-la da forma colocada pelo governo ou outra qualquer. Não teve, caminhoneiro, coxinha, mortadela, panelaço, nada disso.
Se a pauta for corrupção, ética, qualidade dos políticos, etc., temos uma eleição marcada para outubro. Não seria o caso de estarmos mobilizados, discutindo nomes, propostas e principalmente, a não recondução de todos os políticos envolvidos em escândalos e práticas não republicanas para manutenção de poder? Qual o benefício ou eficácia de tirar um governo que já substituiu um anterior e está no apagar das luzes? A quem isso beneficiaria?
Temos um costume, contra o qual luto cada dia mais, que é o de procurar medidas rápidas e simples para problemas complexos. Ao invés de discutirmos (seriamente) a causa dos problemas, queremos brigar pelos preços, preços das passagens, do diesel, do tomate, ...., e assim que conseguimos reduzir qualquer um deles, achamos que vencemos o sistema, o governo, que fizemos uma revolução, quando na verdade, o único preço que temos que discutir é o “preço do estado”
Não podemos discutir tributação, se não discutirmos o tamanho e principalmente a eficiência do estado. Os mesmos que reclamam da carga tributária, reclamam dos investimentos em saúde, educação, moradia, infraestrutura, segurança, entre outros. Também clamo por todos esses pontos mas o caminho não é aumentar investimentos, até porque, isso necessariamente traria aumento de impostos.
Temos que discutir, brigar, manifestar e não admitir a ineficiência do estado, o funcionário público corrupto, o fantasma, o leniente, o não preparado, o desinteressado, o desnecessário. Os órgãos públicos que não entregam com qualidade os serviços dos quais são encarregados. Um sistema previdenciário que beneficia classes e castas, não tratando todos seus contribuintes com paridade.
Eficiência, reforçar a democracia através do voto e da cobrança permanente sobre os eleitos, reformas e mais democracia, não menos.
Wesley Garcia
Engenheiro e Gerente Comercial do Consórcio BRT GOIANIA