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Um assalto a cada 2 horas e meia

13 de novembro de 2015

Um assalto a cada 2 horas e meia

Além do alto índice de roubos e furtos, a onda de criminalidade chegou ao ápice com a morte de duas pessoas. Uma estava grávida

13/11/2015 06:01Ricardo Rafael
Passageiros aguardam transporte público em plataforma do Eixo Anhanguera: clima de medo e insegurança

Não é difícil ouvir relatos de pessoas que já foram assaltadas no transporte coletivo de Goiânia. Seja nos pontos, nos ônibus ou nos terminais. E os números impressionam. A cada duas horas e meia alguém é roubado ou furtado no Eixo Anhanguera. Na noite de quarta-feira, porém, a onda de criminalidade chegou ao seu ápice. Uma pessoa foi morta a facadas durante um assalto na Plataforma José Hermano, no Setor Campinas, e uma mulher grávida também foi assassinada da mesma maneira, poucos metros depois da plataforma. A Polícia Civil acredita que o autor tenha sido a mesma pessoa que, minutos antes dos homicídios, havia ainda roubado um estudante.

Os números reforçam a preocupação dos passageiros. Já foram registradas 2760 ocorrências de furtos e roubos no Eixo Anhanguera nos dez primeiros meses do ano, segundo os dados da 1ª Delegacia Regional de Polícia de Goiânia. A realidade, no entanto, pode ser ainda pior, já que nem todas as vítimas registram boletim de ocorrência. “E os itens mais procurados são os celulares, depois bolsas e carteiras”, comentou o delegado adjunto Pedro Garcia Caires.

A situação ficou tão caótica que o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) reivindicou uma reunião entre a Metrobus, empresa estatal que utiliza a linha, e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás na última quarta-feira, coincidentemente o mesmo dia das mortes em uma das plataformas. “Entendendo que o prestador de serviços, a Metrobus, não estava desempenhando seu papel de, além de transportar os passageiros, garantir sua segurança, a 12ª Promotoria convocou a reunião, junto com os atores da segurança, para estabelecer pontos a serem cumpridos diante desse cenário gravíssimo”, destacou o coordenador do Grupo Especial de Controle Externo de Atividades Policiais do MP-GO, Giuliano Lima.

O novo presidente da Metrobus, Marlius Braga Machado, ressaltou que estão sendo estudadas ações para reduzir os problemas. “Como somos uma empresa pública, não temos condições de trazer os seguranças de volta para as plataformas no mesmo dia. Temos de fazer licitação e isso demora. A medida está sendo estudada, mas dificilmente será realizada porque precisamos de orçamento e o Estado tem suas limitações financeiras nesse momento”, relatou. Uma das alternativas levantadas é a entrada da Metrobus no consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos da Grande Goiânia (RMTC) para dar mais agilidade na tomada de decisões, “diferente de uma empresa pública que tem as suas burocracias e emperram o processo”.

Segundo o delegado adjunto da Delegacia de Homicídios, Alexandre Netto, na noite de quarta-feira um homem sem identificação matou José Ronaldo Pereira em uma plataforma de Campinas, por volta das 20h30. Em seguida matou Gleiciene Carvalho, que estava grávida, duas esquinas abaixo. Ele teria ainda assaltado um estudante e, por volta da meia-noite, foi encontrado pela polícia. O homem chegou a cortar o braço de um policial e foi morto a tiros.